sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Vida acordada

Acordei com cheiro de memória
Com um olhar de criança
De quem vê com o olfato de lembranças
E, por isso, sorri sem razão
Com a alma aberta
leve para o novo
pairando em paz comigo mesmo

sobre as minhas vidas
águas de almas me saciam
brinco com respingos de antes para refrescar o presente.
tomo banhos do que já fui
para, enxuto, saber que sou

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

vida corrente

Um barbante perpassado entre um e outro canto da boca suspendia um sorriso que de tão repetidamente falso se tornara verdadeiro. Uma verdade decorrente, de correntes que não arrebentei .

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

deságues

De dentes cerrados
desgasto a mim mesmo
enquanto sinto meu sabores, salivo-me
estou imerso nas minhas águas
brisa, vento, tormentas
vagas tempestades nervosas
empurram distâncias
nem lá, tampouco cá
sem meio, sem terra à vista
a mercê de mim mesmo
aterro, embargo a língua
engulo gostos correntes
vou, vou indo
navegando nas minhas veias
encalho nas minhas tolices
largo o remo
preciso desaguar

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

febre

a vida está trêmula
cheia de calafrios febris
e sem termômetros
deslizo em ondas de suor
me recolho em cantos resfriados
e me retraio diante do calor manifesto
vou expirando medos doentios
exalando extremos, descasco medos e
equilibro instantes
giro sobre mim mesmo
para comungar unidades
danço em repiques com os meus
e dou o ombro para os seus

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

retorno

Diante da unidade
Imerso no todo do instante
agarro-me à duração
desintegro na sensação
mas, logo, disperso
volto à ilusão
cedo à razão

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Caminhos

entrou nos cantos do dia
a procura de caminhos entreabertos
que não se escondem, mas precisam ser achados
que estão suspensos entre uma e outra respiração
daqueles que aparecem entre olhos
desses, que são sentidos nos deslizes da saliva e que, antes, cedem ao movimento
arrepiam fios e segretam sabores
enconstou nos cantos do dia
e curado descansou da procura

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Entre

Às vezes fica-se preso entre mundos
Nem lá, nem cá
Suspenso pelo pensamento
A uma altura rasa de metros, mas de fundo infinito
De quando se cai em si
e
Depois de vidas de procuras
Reconhece sua busca atrás dos olhos
Mas,quando reabre os olhos, não se enxerga mais como antes
e
sem entende o novo
fica-se cego por um tempo

sábado, 5 de junho de 2010

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Cheiro de ontem

Com um cheiro de ontem
passo alguns dos meus dias
vasculhando algo que nem sei
um sabor que nem sei se provei
uma sensação que nem sei se sentir
um medo que nem sei se tive
e
uma coragem que me faz falta
volto lá no fundo, bem no escuro
e sei que só vou achar o que quiser
mas me faz falta um desejo que nem sei se salivei
finco-me na busca
para lidar com o que nem sei
retorço-me no sei lá
e cá estou
diante de mim
reconhecido, recolhido no chão
emaranhado em linhas de raciocínio
atado a nós
afogado no raso do saber
e
sem saber

segunda-feira, 31 de maio de 2010

provação

Deus, meus Deus
quanta provação
é todo santo dia
e a qualquer brecha
lá vem mais e mais
naõ adianta fugir
não há como desviar
melhor é aprender
metamoforseá-las
torná-las escadas do saber
cada dia tem a sua
de nada vale antecipá-las,prevê-las
é na hora que pratico o que pode ser ou não ser
quanto a mim,,sou o que sou

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Molhado

Esfrego as minhas mãos pelo rosto
coço e aperto meus olhos
primeiro um
em seguida, o outro
e depois do depois, ambos
sustento a minha capeça pelas mãos
é o dia que pesa
levanto bocejos
molho meus olhos
passo a vista pelo imediato
e recuso-me

segunda-feira, 24 de maio de 2010

golfadas

há instantes de insanidade
em que fico aboslutamente alheio a mim
me largo em vácuos
atado a atavismos
pregado pela minha própria força
estou golfado de desilusões
será que não sei limpá-las
ou brinco de não saber
saboreio o gosto dos detritos de mim
desenho entre meus restos
espalho meu excessos
e aí debato, rebato
cuspo sobre as minhas palavras
e só me desvencilho
quando caio em mim

sexta-feira, 21 de maio de 2010

entremeado

Ando às voltas comigo mesmo
por caminhos que desconheço
repito trajetos
paro, desvio,tropeço, hesito
e me pergunto?
qual a necessidade do próximo passo?
do movimento? e se permanecer for continuar?
sem resposta, prossigo interna ou externamente entremeado pelo momento

segunda-feira, 17 de maio de 2010

rio

Entre o canto do olho e o da boca
passa um rio salubre
por onde meus sentimentos navegam
Entre as vazantes e cheias do meu coração

sexta-feira, 12 de março de 2010

colo

Hoje estou precisando de colo.
De deitar minha cabeça sobre alguém
Ganhar um cafuné
Ter alguém que queira desfazer a ruga entre as minhas sobrancelhas
preciso ouvir que está tudo bem
que tudo passa
para dormi com o vento