
um ar sorrateiro entranha
pela fresta esquecida
areja solidão
revira folhas caídas há muito
arranha o chão áspero da memória
descasca ferrugens do tempo
assopra dores de alhures
é um ar que vem do mar
do tipo que seca lembranças
quebra ferros
alivia o rarefeito passado
um ar que vem e faz respirar
conserva a vida
salga a carne, outrora refém
conserva a pele sangrada
é ar do mar
chicoteia
remove o porto
cega o morto
preserva o dito roto
um ar, balanço de ninar
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