sábado, 2 de junho de 2007

ecos frios

sob o limbo dos meus casarões antigos
respiro ecos frios de memórias
são áreas úmidas, gelam o que não há mais em mim
congelo deitado na cama envolto em imagens sólidas
o lençol é branco e pesa tal qual tela de tear
é difuso o que me separa do topo da cumeeira
não mais alcanço essas alturas
estou mais curvo, vôo baixo
o limbo, até esse enxergo pouco
só sinto o forte cheiro da sua presença
pouco vejo os entrelaçamentos das telhas
formam caminhos já percorridos
levam a lugares passados
a voltas mal dadas
a linhas finas
a tetos escorregadios
ainda a brisa escassa sopra entre as teias velhas das telhas
respiro os restos do ar de fora
estou cá, desse lado, na parte úmida da vida

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