
um azul de cor cinza
dá o tom dessa manhã poluída
um sujeito margeia as ruas
segue beirando um meio fio de águas turvas
apalpa a sensibilidade sinuosa do dia
toma coragem
enche o peito
embaraça os pingos em face do já
sente a mistura
do seu sabor e o da garoa
ambos estão frios
espera até que o nevoeiro se deprima
fique mais próximo
que as águas cessem de passar
não corre
anda esperando
há horas
há dias
há tempos
amanhã acentua sua monocromia
está mais fria sem contraste
manhã sem tarde sem noite
sem antes nem depois
uma manhã de sarjeta plana
Nenhum comentário:
Postar um comentário