
nos silêncios arrastados de um dia cansado
curvo diante da longevidade
respiro fundo para reaver fôlego
o ar que me adentra não areja
continuo tenso, com cara de tédio
com fastio do que não provei
tire o prato da minha frente
o cheiro do futuro me incomoda
deixa eu me retirar
dar de costas para a mesa
medir os passos até a porta
atravessá-la
reter-me por nada
e depois.....
voltar
dar as costas para a porta
olhar para dentro
medir os mesmos passos
sentar-me à mesma mesa e voltar ao mesmo ermo
lá fora
o sol a pino faz brilhar o asfalto
enrugo a testa
levanto os olhos
aqui
debaixo da mesa, meu pés
descalços estão em chamas
atado a minha dor
à mesa e de pés cozidos
carrego nuvens ralas de areia
rumino, rumino
olho para um
depois para o outro lado
estou aqui
aqui foi permanecer
eternizado em mim
mirando moscas
estou aqui
à revelia de mim
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