sábado, 2 de junho de 2007

liberdade





indeciso entre passado e futuro
sentado sobre versos
vagueio pelo tempo de dores
sinto hoje o que não sei de quem é
o que passou, o que ficou, o que não passará
procurando portos que não mais existem
navios que não mais navegam
águas que não mais transportam

estou em terra firme
diante de lembranças que ainda açoitam
de dores que escravizam

gritos alheios saem pela minha boca
lágrimas do passado fazem chorar
sangues já derramados escorrem
tingem de ferrugem meus olhos de agora

e vou
e venho
e permaneço
em lugar algum
sei que estou perdido
dou voltas onde desconheço
as rugas de outros desenham a minha aflição
trazem à face, a cor do ciente
tiram a cal
a membrana imposta
e o negro envergonhado expira

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