diante de mim
passo os olhos pelo tempo
centrado no velho que imaginava
quando novo
desconfiado de que nunca fui meu reflexo
e
temeroso de que aquele fosse meu auto-retrato
disperso
tropeço em traços que por ora não vejo
envergonho-me da imagem que transpareço
e que talvez só eu mesmo veja
olho-me
e sinto saudade de alguém
ressinto a ausência
ecoa uma vastidão dolorida de incertezas
tremo porque sou passado
e meu reflexo virou sombra
não consigo escarrar-me
sou retido pelo meu próprio fluido
meus olhos se amesquinham
é o espelho
é o dia
foi a noite
quem sabe a luz
por favor
alguém?
alguém por aí?
quem sabe o que me traduz?
aquele ali sou eu
não sou o que imaginava
nunca serei
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