carrego uma tonelada de nada
de coisa alguma
carrego-me
agüento esse peso desmedido
de alguém sem leveza
pensado
dou voltas em torno de mim
caio sobre mim
e não deixo marca no chão
estou morto sem corpo
sem desenho
sem esboços do que eu fui
nunca estive aqui
nunca fui eu
nem o outro
não há como reconhecer-me
não há vestígios de que eu haveria de ser
passei assim
ao léu
desapercebido
do qual ninguém lembra
confundido com outro
sempre visto
nunca reconhecido
sou um sombra
uma dúvida
uma possibilidade
desmancho no ar
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