o ar rareia na aridez
no deserto que é só meu
na sede que não sabia
no pó que não cheirei
caminho pela caatinga e repilo o cheiro
o ar rareia na aridez
de olhar estorricado
visto as rugas da tez
e a falta de palavreado
enquanto choro, seco, junto pedaços da minha pele quebradiça
pela garganta ferida
engulo seco o vazio
ensaio e aborto vômitos
saboreio o que gosto
perscruto os meus gritos
e permaneço aberto e posto
feito conta-gotas, sofro
arranho, disseco
mas tudo pouco importa
se um dia o ar rareia e some
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