sábado, 2 de junho de 2007

pocaína

o ar rareia na aridez
no deserto que é só meu
na sede que não sabia
no pó que não cheirei

caminho pela caatinga e repilo o cheiro

o ar rareia na aridez
de olhar estorricado
visto as rugas da tez
e a falta de palavreado

enquanto choro, seco, junto pedaços da minha pele quebradiça

pela garganta ferida
engulo seco o vazio
ensaio e aborto vômitos
saboreio o que gosto
perscruto os meus gritos
e permaneço aberto e posto

feito conta-gotas, sofro
arranho, disseco
mas tudo pouco importa
se um dia o ar rareia e some

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