sentado sobre dias
há algo de poeirento no ar
um misto de sólido e líquido
algo pastoso pesa no vazio
e avulta a correria alheia das ruas
um contra-vento no rosto
desequilibra o olhar
vergo o dorso
há lama
excessos
lágrimas largadas
estados de não-excreção
estou indigesto
cheio de algo que me sobe à boca
sinto o gosto da memória
salivo desejos
o sono ronda
à espreita
estou sonado ao meio-dia
passo em revista ao sol
fecho os olhos, mantenho-os alertas
sonhos inesperados me amedrontam
olhos para os restos
para o que não consigo
embrulho o estômago
lembro do futuro
levanto da mesa do almoço
recomeço a caminhar
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