o vento quente da tarde sopra
leva consigo a possibilidade
remove as cinzas recém-criadas
pequenas de idade
deixam o carvão
depositam a si mesmas na umidade da sombra
sobre desterrados
tenras
debruçam-se
choram frustrações
vidas cinzentas esperam no jirau sob a cruz
a claridade dói
o branco das cinzas cega os olhos
pousam em mim mas não consigo velá-las
não vejo o que me olha
o ar está quente
a respiração estremece
fico sem ar
sem respiro
sinto falta
suspiro o que resta
encho-me de vazio
limpo o suor do rosto
é líquido
é água
posso beber
mas não bebo
percebo minha mão
molhada de restos
escorre o vazio
nada sobre mim
quero levantar-me mas deito
quero abrir os olhos mas durmo
quero limpar mas canso
quero fingir mas choro
quero ir mas volto
quero pegar mas solto
quero mas não posso
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