sábado, 2 de junho de 2007

maresia de espera

O mar choroso de um dia chuvoso
debulha seu chorume sobre a praia
desenha com o seu silêncio
com a sua calmaria
que lhe é rara,
o destino de quem
ao lembrá-lo
também chora

esconde-me atrás do seu
cortinado de chuva
abarca todo esse sentimento de vagas
assovia o seu remanso nas minhas lembranças
retira das suas águas o que em mim deságua

chuva que vaza
e traga o mar dos escondidos
choraminga o tempo
de um mar sem sol
que pinga
ondas de brisa

lençol de água a mexer embaixo
bem profundamente
mar tingido de chuva
é devagar
de ondas alongadas
sem espuma
sem arrebentação
não há paz nessa calmaria
só maresia de espera

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