há dias de silêncios compridos
diluídos, quase invisíveis
dias esparramados
longos a perder de vista
há dias de relógios quebrados
de tempos incontáveis
há dias que ficam
cheiram a nada
ondulam, pesam nos olhos
luzem na água da lata sobre a cabeça
sob o desequilíbrio do sol a pino
há dias que se liquefazem em toneladas
arqueiam ombros
há dias que chovem nuvens
derramam ameaças
acendem a escuridão
há dias que escorrem sobre a minha pele
deslizam e me fazem chorar
não têm melodia
são surdos, não cabem nas mãos
ouriçam pêlos
arrepiam almas
secam salivas
há dias sem sentidos
são esses que se apossam de mim
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