uma voz
uma sobra de voz
um sabor de lamento
trazido de lugares sumidos
por um chamado esperado
de uma voz conhecida
que nunca antes ouvida
roubou de mim a solidão
assentou-me debaixo da sombra
de uma mangueira escamosa
no jirau molhado perto da janela
da cozinha da casa de barro
que, torta, pende para o desmedido
que, teimosa, revolve o lodo escondido
onde o tempo nada no vento
vagas resvalam no meu rosto
e lá me contam histórias que
acredito
verdadeiras
mas o tempo se afoga no vento
e só memoriza brisas
reinvento meu passado
poetizo quem eu fui
construo-me
para que aqui
no presente
tudo se desfaça
com precedentes
Nenhum comentário:
Postar um comentário