
um barulho de chuva
ainda não molhada
permanecia na minha cabeça
não sei de onde vinha
nem porque a ouvia
senão chovia
talvez
por ironia
estivesse ensopada de algo a minha alma
carregada daquilo que quiçá seria
alma de chuva
era o que talvez eu teria
que desce tal qual o vento
e cai e corre
para onde?
não saberia
2 comentários:
Tudo bem, meu velho?
Tenho lido seus textos, um de cada vez (às vezes mais de um, mas eles não são pílulas leves que possam ser tomadas umas 12 ou 20 de uma vez — ao contrário, são pequenos sustos de auto-reconhecimento, ou inesperadas surpresas de descoberta do outro, sempre tão insondável).
Sei que o adjetivo que vou usar foi muito batido e desgastado, mas seus textos são viscerais — são orgânicos, dizem coisas que revolvem organicamente a memória de nossa condição diária. Não ficam com rodeios, evasivas acanhadas ou jogos de palavras pomposos mas falsamente expressivos — sua poesia vai direto ao ponto (à ferida?). Um exemplo: varre os olhos para que a carnação não deixe de ver o pesado medo no centro da vida.
Têm dito muito pra mim, seus poemas. A um só tempo maduros e marginais (coisas que nem sempre vêm juntas), talvez mais maduros do que eu hoje seja capaz de acompanhar. E marginal no sentido de buscar o subterrâneo da vontade de viver, que por vezes deságua na vontade de morrer.
Hoje: "Subs". FODA.
(Sem bajulação: este comentário é uma tentativa de dizer impressões [e fruição] sinceras. Como o Wagner disse: é difícil comentar poesia; e eu acrescento: é difícil falar sobre ela sem parecer pedante, ou sem parecer aluno de graduação, e sempre sem dizer nada além.)
Passei por aqui colega oficineiro. Espero sua poesia lá no Barco. Mas já a leio aqui. Por que deixo um post num poema já comentado? Por que este tocou-me mais. É isso.
Abraço, Luciana
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